eis uma rocha
não se nada em uma. não serve para nadar. não é água.
não é um lago. não é o mar todo.
é uma rocha
                   e não serve para nadar.
não beije a rocha. ela não beija de volta.
e não é por ser reles,
                                 mas porque é uma rocha.
é da natureza das rochas não beijar de volta
é uma rocha
                   e não serve para nadar
                                                      ponto
não adianta querer mover a rocha
ela não tem bússola e cai onde calha
e também calha que não serve para nadar
porque é uma rocha
                               e não serve para nadar
e eis-me a mim
que também não sirvo para nadar
que não sou um lago (muito menos o mar todo)
lanço seixos achatados
como as minhas mãos
ao leito que sorve a minha guinada lírica
eis o silêncio
não se recua no silêncio. não se ganha no silêncio. não se perde também.
eis uma rocha, eu e o silêncio
um rio para atravessar


erre marques, erre
estou na posse de um alicate sentimental

que se morde no aço chora

erre marques
oficina de escrita

quando te perdes
(e perdes-te tanto)
e já não encontras a história que queres contar
aguarda pacientemente o regresso do vento
o voo das aves ou o café da manhã
talvez um incêndio a oeste
                                          em que pressintas um qualquer recomeço

uma queda acidental do cigarro
a torção do ferro que desponta no cimento
palavras ditas em segredo que te façam ver

quando encontrares o derrame 
isto é, a prova inequívoca de um sangramento
talvez surja novamente a vontade 

só não esperes sentado de costas para todo esse mar

r. marques
são seis da manhã
e tenho uma palavra para ti
não está assente na madrugada
ou na ombreira luminosa da manhã
está mais adiante
mais recolhida
como um gato que dorme
ou em algum caso
um corpo que flutue na sombra
que voe sobre as árvores e veja
tenho para ti o requisito da espera
da paciência que já se não tem
aguarda novas mais à tardinha
quando o desejo for extremo
e não haja mais nada a se dizer

r_marques







Stay still do be still 
No wonder you are always lost  If a messenger you must be known  Then with messages you must return  To be seen by demanding hands  And touches of jealous men  Invisible and forgivable  To all their secret hands  Be it so be quick  Don't run just walk and walk and walk  Don't loose yourself to decorate  Somewhere on your wall  Cause somewhere in your mind  You know you are doing fine  Holding secret hair locks  You'll pluck before you hide  So how can I keep anything to myself  So how can I keep any of these to myself  So how can I keep anything to myself  Behind those clouds  I'm almost home